Norte, sul ou os dois – Qual o melhor estilo de kung fu?

Kung fu, antes de ser uma luta, é uma arte. E como toda arte, existem várias formas de expressá-la. E isso é o que mantém o kung fu vivo há tantos anos.

Existem estilos para todos os gostos: acrobáticos, práticos, que desenvolvem a energia interna, que desenvolvem energia externa, com poucos e efetivos golpes, com muitos golpes que permitem milhares de combinações e contra-combinações, e por aí vai.

O kung fu é rico demais para concentrar todas as suas vertentes em um só estilo. E existem diferenças entre objetivos de estilos também. A perfeição das acrobacias e altura dos chutes de um estilo do norte exige uma base diferente da firmeza e segurança dos socos de um estilo do sul. Um estilo focado em competições de contato e/ou semi-contato não poderá demonstrar movimentos semelhantes a um estilo focado em competições de formas com ou sem armas.

Como disse Yp Man, criador do estilo mais praticado de Wing Chun do mundo: “O problema não é o estilo, é você”. Cada estilo atende a uma necessidade, basta você descobrir quais são as suas e se elas se adaptam ao estilo praticado.

Algumas vezes, vemos estilos que utilizam movimentos muito diferentes daqueles que estamos habituados. Não tem problema, provavelmente, esses movimentos vão se encaixar e formar novas combinações que, por sua vez, enraizam um estilo novo. Kung fu é mais do que uma sequência de movimentos. Vide o Jeet Kune Do, por exemplo, que deixa de lado os katis. E quem se arrisca a dizer que o estilo criado por Bruce Lee não é kung fu? A verdade é simples, mas difícil de entender: “Tudo é kung fu” como disse nosso shifu uma certa vez.

Portanto, você que chegou até aqui na leitura esperando uma resposta certeira para qual é o melhor estilo de kung fu, sinto muito, não é tão fácil assim. Na verdade, nunca é, pois se é fácil, ai sim podemos ter uma suspeita de que não é kung fu.

Os animais e o kung fu. Parte 5 – a serpente

Esquivas, saltos, chutes, giros e muita velocidade. O praticante do estilo da serpente é mortal como uma naja, flexível como a mamba e poderoso como a cascavel. Mas nenhum praticante desse estilo se aperfeiçoa da noite para o dia. Embora os movimentos sejam fáceis de se aprender, a estratégia de combate desse estilo é o mais difícil de se aprender.


O animal
Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a serpente não é um animal violento, e sim defensivo. Por isso, mesmo enquanto se movimenta ela está em postura que aparenta ser de ataque, tensa, pronta para o combate.
As cobras atacam através de estrangulamento ou de picadas, mas caso um ataque falhe, ela se arma e tenta rapidamente recuar. Para picar, ela executa saltos que variam de acordo com o tamanho de seu oponente.

O kung fu
O estilo da serpente está entre os mais mortais do kung fu. Assim como a serpente na selva, um praticante desse estilo tenta utilizar o mínimo de ataques possíveis, para isso, ele se movimenta em busca de brechas para realizar ataques no seu oponente. A movimentação se baseia em posturas baixas e movimentos rápidos. As mãos fazem movimentos alternados para confundir o oponente, enquanto as pernas mantêm o corpo em uma base firme para saltar, avançar ou recuar rapidamente.
Basicamente, as mãos simulam a cabeça, a boca ou a língua da serpente, e os ataques direots visam atingir articulações e orgãos, mas existem muitos ataques com quebramentos e imobilizações que são realizados rapidamente, sem dar chance para o oponente.
No estilo da serpente, o praticante se prepara para combates a curta ou grande distância, por isso mesmo, ele está sempre pronto para qualquer desafio. Chutes rápidos em todas as alturas do corpo e esquivas com saltos são amplamente utilizados, deixando esse estilo com uma imprevisibilidade muito grande.

Os animais e o kung fu. Parte 4 – a garça

O estilo da garça de kung fu é, junto com o estilo da serpente, o mais gracioso, de movimentos harmoniosos e elegantes. Sua combinação de esquivas com passos que parecem ensaiados causa confusão no oponente.
Para ilustrar a diferença entre os estilos, podemos ver o tigre como aquele que vence através da força, o leopardo como aquele que vence utilizando o mínimo de força possível, enquanto a garça, justamente por não ser um predador, se preocupa em não perder, o que significa que ela tenta incentivar seu oponente a desistir dos ataques.
Devido sua força limitada, a estratégia de luta da garça é baseada em defender, bloquear, esquivar e redirecionar ataques, buscando sempre a vantagem do contra-ataque.
Os movimentos da garça podem ser realizados através de suas asas, realizados um pouco antes ou um depois do ataque de seu oponente, o que faz o ataque perder a efetividade, o coice de garça, utilizados para finalizar uma luta, ou através do bico de garça, um ataque muito efetivo que também pode ser utilizado como defesa ou movimento de transição para uma torção ou quebramento.
O estilo da garça, apesar de parecer ter movimentos fáceis de executar, exige grande dedicação do seu praticante. Pessoas que não têm grande força física ou com um estilo menos agressivo de combate podem se adaptar muito bem a esse estilo, que usa a força do oponente contra ele mesmo.

E então, qual deveria ser o próximo estilo a ser discutido? Vamos lá, comentem.

Os animais e o kung fu. Parte 3 – o leopardo


O animal
Na natureza, o leopardo é um dos felinos mais fracos que existem. Entretanto, para compensar esse ponto, ele desenvolve outros. Acima de tudo, o leopardo se comporta na natureza como um estrategista, astuto e preparado. Ele compreende quais as lutas em que ele realmente deve entrar e percebe que algumas vezes a melhor solução pode ser recuar.
Sua agilidade permite que ele consiga facilmente cercar uma presa, ao mesmo tempo em que ele pode fugir de qualquer combate desnecessário. Mais fraco que o leão e que o tigre, ele confia muito mais em seu discernimento que em suas habilidades físicas.

O estilo
O estilo de kung fu do leopardo é caracterizado por ataques expressivos, embora eles não sejam tão expressivos quanto os ataques do tigre. Para compensar a limitação de sua força, ele utiliza outros elementos, como sua agilidade, que acaba aumentando o impacto de qualquer ataque.
Para praticar o estilo do leopardo, qualquer estudante precisa desenvolver 3 pontos: os músculos externos, para ser capaz de realizar ataques rápidos e defesas agressivas com o mínimo de desgaste do corpo; a paciência, para conseguir discernir o momento certo de atacar ou defender e a agilidade, que aliada à explosão muscular, permite a realização de ataques e defesas rápidas e saltos de esquiva.
Enquanto no estilo do tigre as defesas são feitas com o objetivo de abrir caminho para um contra-ataque, as defesas do estilo do leopardo são caracterizadas por serem ofensivas, utilizando a força do oponente contra ele mesmo, desencorajando-o a realizar novos ataques. Essa é uma das características mais específicas do estilo.
Os ataques, realizados normalmente em ângulos para dificultar a defesa e facilitar a penetração, visam danos internos. Ao enfrentar um praticante do estilo do leopardo, a pessoa só perceberá o quanto ela está ferida quando for tarde demais. Embora o praticante, assim como o animal, saiba que um ataque só deve ser feito como último recurso.

Os animais e o kung fu. Parte 2 – o tigre

Para entender esse estilo, é preciso ver como esse incrível animal se comporta na natureza. No momento do ataque, ele silenciosamente se aproxima e – quando perto o bastante, dá o bote. Nunca usa mais do que 2 ataques em uma presa, pois seus ataques ferem e impo
ssibilitam a fuga. Quando atacado, sua agressividade busca ferir o oponente antes de recuar. Embora agressivo, o animal não ataca gratuitamente, sempre deixa para utilizar suas técnicas em último caso, quando sua vida está em risco. Essa é uma lição simples e importante para todos os estudantes de kung fu.
A base desse estilo é a simplicidade, a força e a precisão. Por isso, as defesas são uma forma de contra-ataque e seus ataques buscam acertar músculos e articulações.


Algum estilo de animal que você gostaria de ter mais informações? Comente, para que a gente possa programar qual será o próximo animal.

Os animais e o kung fu. Parte 1: Introdução


A base do kung fu é a representação de animais. Mas muita gente não tem a mínima ideia do que isso realmente significa. A dificuldade que existe para aprender o estilo de um animal não é aprender os movimentos, é a capacidade de captar o espírito de um animal e transferir essa energia para si próprio.

Estilos diferentes de kung fu utilizam estilos diferentes de animais. Por isso, é difícil dizer quantos estilos diferentes de animais são utilizados em todos os estilos diferentes de kung fu.

Embora muitos animais sejam utilizados, alguns são mais frequentes em estilos, devido a quantidade de movimentos que eles têm. Entre eles, estão o tigre, o leopardo, a garça e a serpente. Já o dragão, embora tenha poucos movimentos, é bastante utilizado por ser o animal que mais tradicionalmente representava o kung fu quando este estava se desenvolvendo.