O Deus das artes marciais

De onde os deuses vieram? Na China, certos homens e mulheres virtuosos ou heróicos são deificados postumamente. Similar ao modo em que os santos são canonizados em religiões diferentes, estas figuras chinesas “Maiores que a vida”, ganham status de Deuses. Uma dessas pessoas foi Guan Gong, o Lord aceito pelas artes marciais.
Na verdade ele era mais que isso aos olhos dos chineses.

Lord Guan era capaz de contar uma história clássica antiga de memória e também se tornou reverenciado, o santo padroeiro dos estudantes. Os Si Fus liderados sentiam orgulho dele. Sua importância foi levada até a arte chinesa do teatro. Quando ele era apenas um soldado, era conhecido como Guan Yu ou Kuan Yu (de onde temos o Kuan Dao ou a faca de Kuan). Guan Yu viveu no segundo século e era um seguidor do Imperador Liu Bei, chefe da dinastia “Shu”. O romance dos três reinos”, conta-nos a vida de Yu, como um fiel discípulo de Liu Bei. Esta é uma história fictícia do período da história chinesa quando o destino do país estava sendo decidido por três reinos em guerra.
Antes de Guan Yu ser elevado a Deus, ele era meramente herói militar, era perfeito para o papel, ele exibia poder e coragem, era imbatível na batalha, leal, bom, generoso e amado por seus companheiros. É claro que como tantas e outras figuras populares, depois da morte, adquirem poderes que nunca poderiam ter obtido durante os seus dias na terra.

As lendas populares concediam-lhe super-poderes, e desde a muito tempo seu status como Deus era imutável. Taoístas e Budistas reverenciam Guan Gong no século VII. Os budistas o fizeram guardião do templo (Monastério), enquanto os taoístas estavam convencidos dos seus poderes contra os demônios malignos do tempo. Templos foram construídos em sua honra e pouco tempo depois todo lugarejo tinha dedicado um templo em seu nome. Peças teatrais sobre ele eram muito populares e todos os atores que executavam o seu papel tinham o rosto vermelho de acordo com a lenda.

Mesmo quando jovem ele estava sempre pronto para ajudar os oprimidos. Certa vez Guan soube que um malfeitor, que aconteceu de ser o filho do Governador local, tinha raptado a filha de um homem bom e honesto. O pai pobre sem auxílio para salvar sua filha. Ela, acreditava-se, pertencia para sempre como propriedade do malfeitor. Mas então veio Guan Yu, que matou o malfeitor, salvou a gorota e devolveu a seu próprio pai. Guan Yu sabia que o Governador tentaria se vingar, então se refugiou num templo. As tropas do governador finalmente o encontraram e tentaram matá-lo ateando fogo ao templo. O bravo Guan Yu permaneceu no templo enquanto as chamas subiam pelos alicerces. Subitamente, ele passou pelas chamas e atacou as tropas de surpresa que foram dispersadas com poucos problemas. Depois de buscar conforto próximo a um riacho, no reflexo da água, ele percebeu que as chamas e o calor haviam deixado seu rosto vermelho e brilhante. Com este disfarce ele conseguiu escapar e se unir as tropas de Liu Bei.

Uma outra história diz respeito a convivência de Guan com o exército de Liu Bei. De acordo com os relatos, vários exércitos amistosos combinaram suas forças para batalhar contra um general rebelde. O rebelde percebendo a futilidade de mandar suas forças contra o inimigo, escolheu seu melhor lutador e desafiou cada comandante para um duelo homem à homem, até a morte. Nenhum deles aceitou devido a reputação do campeão dos rebeldes. Entretanto um dos comandantes foi até a Guan Yu e ofereceu uma taça de vinho morno, um convite para que representasse os exércitos. Guan Yu nem pensou em dizer não, se levantou da mesa de jantar, lutou contra o campeão rebelde e voltou antes que o seu vinho e sua comida estivessem frios.

O livro sobre Guan Yu não estaria completo sem detalhar a vez que ele foi acertado no braço por uma flecha envenenada. Apesar da falta de anestesia, os médicos decidiram operá-lo. Assim que a cirurgia começou, Guan Yu começou a jogar xadrez, se concentrava no jogo enquanto o cirurgião cortava sua carne e sugava o veneno de seu osso. Guan Yu nem gemeu e assim que terminou, venceu o jogo e foi embora. O capítulo final de sua vida nos contaoutra história de bravura. Depois de anos de batalha contra os inimigos de Liu Bei, Guan Yu foi finalmente capturado. Sabendo de suas proezas as forças rebeldes tentaram convence-lo a mudar de lado. Mas ele permaneceu fiel a sue líder, preferindo morrer a trair sua confiança. Assim mesmo sem seus dias finais como soldado mortal, ele já era “Maior que a vida”. Guan Yu era um símbolo de que o povo chinês considerava certo e bom nas artes marciais. Ele era caprichoso em mente e corpo, corajoso em combate, generoso, leal e honesto.

Apesar de muitos chineses não mais falarem dele em termo de Deus, eles ainda veneram as boas qualidades que personificava. Ele nos deixou como legado mais que somente uma espada bem manejada, nele nós podemos aproveitar seu exemplo como discípulo e como alguém cuja capacidade marcial só foi menor que sua lealdade para si mesmo e para o seu país.


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